| BTT ENTRE LINHARES-DA-BEIRA E BELMONTE
(Quatro dias de aventura em autonomia total)
RELATO DAS JORNADAS
1º Dia: 28/Abr/2006
Concentração em Aveiro e a caminho de Celorico da Beira!
Lá fomos chegando, uns de cada vez, e arrumando as bikes e os materiais na carrinha para partimos em direcção a Celorico da Beira, ponto de partida para mais uma aventura, que iria decorrer por algumas das Aldeias Históricas mais bonitas do nosso país.
A proposta era aliciante! Iam ser quatro dias em autonomia total pedalando por trilhos, montes e vales de grande beleza à descoberta desse património histórico e cultural que é parte integrante da nossa vida como povo.
Chegados a Celorico da Beira, local onde guardámos a viatura, os seis magníficos (Calé, Fernandes e Hugo (de Aveiro), Santos (de Gaia), José e Eunice (do Barreiro), partiram já de bicicleta para aquela tão esperada aventura.
Seguimos em direcção a Linhares-da-Beira a "nossa" primeira aldeia histórica. A árdua subida ao castelo fez-nos perceber que a tarefa a que nos propúnhamos não ia ser de todo fácil. O vento estava forte e frio e a carga que cada um levava nos alforges das bikes era elevada (talvez demasiada).
Chegados ao Castelo, lá estava o Luís (alentejano de Estremoz).
Reunidos os 7 magníficos e feitas as fotos da praxe, lá partimos nós em direcção a Marialva.
Depois de descermos a calçada romana de Linhares e de percorrermos vários trilhos chegámos ao Rio Mondego onde a travessia por cima de um pequeno açude se revelou impossível.
Era o primeiro contratempo!
Após apurado estudo do mapa decidimos seguir por estrada a fim de passarmos na ponte e retomarmos o trilho correcto na Muxagata (aldeia).
Pelo caminho, umas bifanas e cervejinhas pretas ajudaram a suplantar o trauma da situação. 
Retomado o trilho, eis-nos chegados à Aldeia Nova onde começámos a penosa e longa subida da Ribeira da Muxagata, garganta de piso nem sempre bom e com subidas íngremes que começaram a minar o ânimo dos aventureiros.
Ultrapassado este obstáculo com bastante dificuldade, decidimos passar ao lado de Trancoso (à altura não era considerada aldeia histórica) e concluir o dia em Casteíde, local onde aproveitámos para comer e beber, num restaurante de um simpático casal.
Pernoitámos perto da aldeia num cabeço "habitado" por grandes blocos de pedra. A noite apresentou-se ventosa e fria o que nos fez bater os dentes enquanto cozinhávamos e jantávamos. No final ainda deu para irmos ao café beber um cházito quente. Apesar das dificuldades conseguimos percorrer mais de 70 Km's.
2º Dia: 29/Abr/2006
Alvorada!
Levantado o acampamento e tomado o pequeno-almoço (confeccionado por nós), lá partimos em direcção a Marialva, que ainda ficava longe, e tentar conseguir atingir o objectivo do dia que era a vila de Almeida.
Pelo caminho alguns enganos, confusão nalguns trilhos, mas no final sempre fomos arranjando algumas soluções alternativas, o que por vezes resultavam em mais uns Km's.
Finalmente Marialva à vista, mas o atraso que levávamos e a situação elevada da parte antiga da vila apenas nos aconselhou a tirar umas fotos de longe. Seguimos para Castelo Rodrigo e aqui começou mais um calvário. 
Um engano na interpretação da carta militar e lá estávamos a descer encosta abaixo até que alguém desconfiou que íamos mal. E em boa altura o fez, porque regressar ao ponto certo custou-nos arrastar as bicicletas a pé encosta acima.
Mas o pior ainda estava para vir. Descida ao Rio Côa e subida em alcatrão longa e de inclinação bastante apreciável. Como se não bastasse, o calor fazia-se sentir e bem.
A chegada a Freixeda do Torrão foi um acto penoso, doloroso mesmo. Lá chegados, encontrámos um café onde comemos e bebemos abundantemente. Bendita terra a nossa onde em quase todo o lado há gente boa!
Recompostos lá recomeçámos, mas o dia ainda não tinha acabado e continuava penoso, pois até Castelo Rodrigo ainda teríamos uma bela e longa subida para não falar na estrada que sobe até ao castelo. Como já estávamos bem alimentados tudo correu melhor. Depois foi descer até à ribeira de Aguiar e acampar.
Após montar o acampamento e jantar (confeccionado por nós, claro) chegou a hora do descanso. Apesar de ter sido o dia mais difícil de todo o passeio, conseguimos também fazer mais de 70 Km's.
3º Dia: 30/Abr/2006
06:00 - Alvorada!
Tudo pronto e lá começámos de novo a pedalar. Almeida ainda distava e queríamos aproximar-nos do Sabugal. Começámos por trilhos rurais, sem muitos desníveis e até Almeida tudo correu normalmente. Chegámos por volta das 11:30 e aproveitámos para nos "civilizarmos". Fomos ao Multibanco, enchemos os pneus numa estação de serviço e comemos e bebemos bem num restaurante onde nos prevenimos para o jantar com um conjunto generoso de bifanas.
Saímos em direcção a Castelo Mendo e pela segunda vez o Rio Côa voltou a tramar-nos. Depois de uma descida íngreme e técnica, tivemos uma subida longa, penosa e debaixo de um calor infernal.
Chegados a Castelo Mendo, o contacto sempre importante com a população fez-nos saber que a ponte que atravessava o rio estava caída e só seria possível atravessar o rio a vau.
Analisada a carta militar e o desnível do terreno concluímos que seria muito mau se tivéssemos que voltar para trás a empurrar as bicicletas, carregadas como iam. Assim, decidimos contornar o obstáculo pela estrada. Pensámos e fizemos, mas todas as opções têm sempre um preço. Aqui o Fernandes já tinha ficado sem travões e na impossibilidade de resolvermos a situação
as descidas passaram a ser com ele ora agarrado a mim, ora ao Luís (os membros com mais cabedal do grupo, para não dizer mais pesados, que parece mal).
Desta forma lá fomos atravessar o Rio Côa pela terceira vez e, tal como das outras duas, descemos primeiro para depois subirmos, subirmos, subirmos e finalmente subirmos.
Retomado o trilho e depois de comermos e bebermos muito bem em Freineda, encontrámos finalmente um zona plana de bons trilhos onde "disparámos" a fim de ganhar tempo e fazer o máximo de quilómetros possíveis.
Decidimos acampar a seguir à aldeia da Rebolosa. Pareceu-me o local mais bonito dos acampamentos que tivemos que fazer. Zona rural, rodeados de vacas e com uma ribeira por perto (algo semelhante ao segundo acampamento, mas mais agradável). Montar acampamento, cozinhar, comer e dormir dado que naquele dia mais tínhamos percorrido mais de 90 Km's .
4º Dia: 01/Mai/2006
06:00 - Alvorada!
Que frio estava naquela manhã! As tendas e as bicicletas estavam cobertas com gelo.
Levantar e desmontar o acampamento foi difícil porque o frio gelava e fazia doer as mãos e os pés. Iniciámos o passeio e penosamente efectuámos uns quilómetros de subida. Os trilhos não tinham um desnível muito acentuado mas ofereciam algumas dificuldades devido ao tipo de piso, e por isso fomos contemplados com vários furos.
Passámos o Sabugal e aproximámo-nos de Sortelha. Antes de vermos esta linda aldeia, a subida à Portela de Sortelha deixou algumas marcas. Finalmente o castelo e a imponente e bela aldeia de Sortelha, a nossa última aldeia histórica do programa (na altura Belmonte não era considerada aldeia histórica).
Começava-se a sentir a ansiedade de chegar a Belmonte, mas ainda faltavam alguns quilómetros.
A acentuada descida à saída de Sortelha foi terrível porque segurar o Fernandes que ia sem travões demonstrou ser perigoso e complicado, mas sempre que surgiam fortes pendentes ele corria o risco de as descer e nós de o tentar travar. Felizmente tudo correu bem sem, no entanto, deixar de haver algumas situações mais complicadas, embora algo caricatas.
Um longo trilho plano junto a um riacho e, no final lá vimos Belmonte ao fundo.
Acabámos finalmente junto à estação de Belmonte depois de percorrermos mais de 50 Km's nesse dia.
Conclusão:
O Grupo: Excelente! Grande espírito de corpo e de entreajuda, muito homogéneo durante todo o percurso. Estiveram todos no bom e no mau, sempre em apoio mútuo.
Avarias: 8 ou 9 furos, 1 pneu rebentado, 1 perda de travões, 1 suporte de alforges empenado e outro com uma fita de suporte partida, mas nada que nos impedisse de concluir o percurso.
Os 7 magníficos(a): Doridos, cansados, mal alimentados, mal dormidos, com 4 dias sem tomar banho, com alguns arranhões e pisaduras, mantiveram sempre o bom humor e acabaram a pensar já na próxima. |